Aos contos deste canto das cigarras interessam-lhe sobretudo as vidas banais expostas a acontecimentos banais. Nem personagens extraordinárias sujeitas a acontecimentos extraordinários, nem personagens vulgares colocadas perante invulgares situações que exijam acções extremas. Nada disso. Interessa-nos a vida na sua simplicidade. Não nos reconhecemos aqui, mas reconhecemos os nossos vizinhos no esplendor da sua banalidade. Nós nunca nos reconheceríamos como gente banal. Certo?
Mário Rui de Melo
O ACIDENTE
Acelerou a fundo. Fazia sempre aquilo naquele troço da estrada municipal que ligava a vila à aldeia onde tinha a sua casa, suficientemente afastada para a manter longe dos olhares dos aldeãos. O carro, um topo de gama de alta cilindrada, galgava quilómetros deixando um rasto de pó. Tinha a mania dos rallys, piloto frustrado que nunca tinha conseguido passar das primeiras classificativas, acabando por desistir.
Como de costume, passou por uma casa pequena, de ar pobre, mas asseado, árvores de fruta e horta a pincelar de verde um quintal de muros baixos. Também como habitualmente, o velho ergueu-se acima do muro, fazendo um gesto de indignação, pela poeirada e pela velocidade. Já era um ritual. Riu-se deste pequeno episódio que se repetia de todas as vezes que vinha passar uns dias ao campo. Olhou para a companheira, uma jovem esbelta com o olhar distante e frio, para ver se ela partilhava esta pequena malandrice que ele entendia como os miúdos entendem a brincadeira do toca e foge das campainhas. Mas, ela seguia impávida, completamente indiferente.
Chegou a uma casa de muros altos e brancos, imponente. Ainda o carro se aproximava e já o portão metálico deslizava suavemente sobre um carril, deixando ver um caminho de 50 metros, em cascalho fino, até à garagem.
A casa situava-se num alto. À volta, uma paisagem campestre, pontuada por pequenos montes, de grande beleza.
Saiu do carro e respirou fundo. Gostava de ir ali. Gostava da casa, dos cheiros, das refeições preparadas pelos caseiros, do banho de piscina, que era aquecida no Inverno e dos momentos de descontracção e calma. Escolhera o sítio porque considerava a vista estupenda e porque nenhum conhecido seu tinha casa ali perto. Aquele era um refúgio para seu sossego e não local de convívios e festas.
Só havia um senão. A sua jovem mulher não gostava daqueles retiros. Um fim-de-semana ainda aguentava. Mais tempo e o mau génio vinha ao de cima. Já sabia de que têmpera ela era feita. Nessas alturas, tentava lembrar-se do que o atraíra nela. A beleza, claro. A juventude também. Mas, sobretudo uma alegria de que ela agora raramente dava mostras. Tinham tido bons momentos, momentos de partilha, de alegria e de afectos.
“Respira-me este ar Evelise”, disse ele, enchendo os pulmões. Ela olhou-o como se ele tivesse acabado de dizer uma parvoíce.
Ela entrou directamente em casa e desapareceu. Ele ficou parado, a olhar. O caramanchão, próximo à piscina, estava com as trepadeiras bem vivas e verdes. A sombra parecia-lhe francamente apetecível.
O caseiro apareceu, ainda a secar as mãos nas calças de caqui. Andara nas jardinagens.
“Posso ajudar a levar as coisas, sr. Eduardo?”.
” Sim, claro, João. São só duas maletas”. Gostava dele. Era um homem franco e aberto, nada subserviente, o que lhe dava garantias de honestidade. A esposa era uma mulher forte, trigueira, a emanar energia e vitalidade, com uma mão para a cozinha tradicional quase insuperável. O problema era aquela sua mania das decorações, que irritava Evelise, sempre que encontrava a casa modificada, com os bibelots trocados de sítio e arranjos florais de gosto duvidoso.
Eduardo tinha 43 anos, herdara do pai uma fábrica de moldes de plástico que internacionalizara. Tinha jeito para o negócio e enriquecera rapidamente, a partir da semente deixada pela família. Casara tarde e apenas porque não resistira à beleza de Evelise. Filho único de pais que já não eram novos quando o tiveram, rapidamente viu a sua família confinada a uns tios e primos. Ninguém muito chegado. Ainda assim, um dos dois tios que sobravam disse-lhe, após ver Evelise, que ele fazia um disparate. “Demasiado bonita, demasiado jovem, demasiados problemas”, resumiu.
Entrou em casa e viu logo o que ia ser um foco de tensão. A habitual jarra para os ramalhetes de flores estava agora plantada em cima do móvel da entrada, exibindo as cores garridas de uma mescla de jarros, rosas e margaridas. O seu lugar habitual era a sala de estar. Ignorou o facto e foi directo para a cozinha. Encontrou a D. Rosalinda às voltas com o forno. Cheirava bem.
“Boa tarde Rosalinda.” A mulher endireitou-se, depois de fechar o forno.
“Boa tarde, sr. Eduardo. Estou aqui a preparar uma carne assada para o jantar.” Olhou-o com um sorriso franco. ” A D. Evelise não veio?”
“Veio sim, deve ter ido ao quarto, não tarda está aí”.
“Ah! É que eu sei que ela gosta das batatinhas coradas…” Ela esforçava-se por agradar a Evelise. Sentia da parte dela uma frieza distante que não ia com o seu feitio aberto e emotivo. Já com ele, apesar de não ser assim tão mais novo que ela, tratava-o como a um filho. Eduardo não sabia porque é que aquele casal, aparentemente feliz na sua simplicidade, não tivera descendentes. Foi coisa que nunca lhes perguntara nem o ia fazer. Cada um sabia de si e calculava que a resposta fosse dolorosa para ambos. O certo é que, agora, ele sentia que eles faziam parte da sua vida, o que não é a mesma coisa que ser da família e calculava que eles pensassem o mesmo.
Evelise não aparecia. Foi ao quarto e deu com ela a remirar o guarda-fatos.
“Isto não está nada como eu deixei”, afirmou assim que o sentiu entrar.
“Já sabes que a Rosalinda gosta de arrumações”, proferiu em tom conciliador.
“Porque é que ela não vai antes arrumar a casa dela?” O tom, quase irado, não estava a prenunciar bom ambiente.
“Oh! Querida, que importância é que isso tem? Estar assim ou assado não é mesma coisa?”. Proferiu isto e sentiu logo que tinha cometido uma asneira. Não devia ter menorizado o problema.
“Não, não é a mesma coisa. Talvez seja para ti, mas para mim não é. Para mim é falta de respeito”.
Ele aproximou-se e pôs-lhe o braço no ombro. “Sabes? Tens de te descontrair. Ela faz isso para tentar agradar. A nós resta-nos aproveitar o tempo para relaxar e estar juntos”.
“E a jarra na entrada? Viste a jarra na entrada?”. Ele já esperava por esta.
“Vi. Queres que lhe diga para a pôr onde estava?”. Ela tirou-lhe o braço de cima.
“Não. Quero que lhe digas para não mexer em nada”.
“Isso, eu não posso fazer. O trabalho dela é esse, mexer para limpar”.
“Então livra-te dela e contrata outra”.
“O quê?”, mas ela já saíra para a casa de banho. Deixou-se cair na cama. Que raio de feitio! Fechou os olhos. Começara a achar que o fim-de-semana estava definitivamente envenenado. Sentiu água a correr na casa de banho contígua ao quarto e presumiu que ela estava no banho. Talvez acalmasse as coisas. Voltou à rua, a tempo de ver o sr. João arrumar a tralha da jardinagem. Estava aquele azul que às vezes se põe quando o sol desaparece no horizonte.
“Ó João, diga-me uma coisa…”, mas logo se arrependeu de ter iniciado a pergunta.
“Desculpe, não percebi. Disse alguma coisa?” Ainda bem que ele, entretido nos seus afazeres, não entendera o que dissera, o que lhe deu oportunidade para corrigir. “Dizia que este ano temos um caramanchão a sério”. O outro anuiu, sem deixar o que estava a fazer. Eduardo olhava-o e deu consigo a pensar que nunca tinha visto um gesto de demonstração de afecto entre ele e Rosalinda, embora lhe parecesse que eles formavam um casal feliz. Havia neles uma harmonia que não era fácil de encontrar. Era qualquer coisa que existe e pronto. Não se força, nem se pensa nisso e as coisas fluem naturalmente. Talvez eles tivessem encontrado a sua alma gémea. Sorriu a este pensamento, porque lhe vieram à lembrança as telenovelas que Rosalinda gostava de ver.
Tornou a entrar em casa. Ainda tinha esperança em conseguir acalmar Evelise. Entrou no quarto quando ela saía da casa de banho em roupão e toalha enrolada na cabeça. “Meu Deus, como é bonita”, pensou Eduardo.
“Sabes, está uma noite tão fantástica que eu pensei que podíamos jantar lá fora. Púnhamos umas luzes especiais e… bom, era bestial.” Ela manteve-se silenciosa, enquanto escolhia a roupa para vestir.
” A Rosalinda está a fazer aquela carne assada dela com batatas coradas, exactamente como tu gostas. Que tal?” Silêncio. Escolhia a camisola como se fosse para uma festa de cerimónia. Ele calou-se. Estava para sair, quando deixou mais uma deixa: “vou tratar já disso”.
“Não trates”. A resposta veio seca como um disparo de fulminantes. A bala a sério viria depois. “Vou sair. Regresso a Lisboa. Podes ficar cá com a tua carne assada”.
Ficou sem resposta. Não esperava aquilo. Hesitou entre iniciar ali uma discussão séria ou simplesmente manifestar indiferença. “Meu Deus, como ela é bonita!”. Mas onde estava aquela alegria contagiante que o conquistara em definitivo?
“Faz o que entenderes”, acabou por dizer e saiu. Foi directo para o escritório para não se cruzar com ninguém.
Ela vestiu-se desportivamente. Calças de ganga, ténis e camisola simples. Escovou os cabelos ainda húmidos e soltou-os para caírem livremente. Agarrou na espécie de mochila com que andava sempre que ali ia e saiu do quarto. Quando estava prestes a atingir a porta da rua, olhou para a jarra e o seu arranjo floral e recuou. Foi ao escritório. Entrou e ficou parada à porta. Ele olhou-a e ela sentiu nesse olhar uma imensa pena, não por ela, não por ele, mas por as coisas serem o que são. Saiu sem uma palavra.
O carro topo de gama já estava a rolar pela estrada, levantando pó. Enervada, acelerou a fundo, como se quisesse bater em alguma coisa que a impedisse de ir mais além. Estava no limite de uma crise nervosa. A casa branca de muros baixos aproximava-se velozmente. Quando estava a passar por ela, sentiu um embate de uma coisa no vidro da frente. Assustou-se, o carro virou sozinho, derrapou, andou uns metros descontrolado e foi bater, desamparado, com a traseira num pinheiro de beira de estrada. Ficou uns segundos a tentar perceber se estava tudo bem consigo. Sentia uma forte pressão no peito e o cheiro do airbag. De resto, parecia tudo bem. No vidro da frente, a ocupar uma área considerável, estava aquilo que parecia uma bosta de vaca ou animal semelhante. Entretanto, viu alguém a bater-lhe no vidro da janela. Olhou e viu o velho da casa branca de muros baixos. Foi nesse momento que se fez luz. Fora o velho que resolvera, nessa noite, vingar-se das dezenas de vezes em que tivera que levar com poeira. E não fizera a coisa por menos. Bosta de vaca. Saiu do carro furiosa,
“Olhe lá, não viu que podia ter acontecido aqui uma tragédia, seu irresponsável!”. O velho tremia. Não, não tinha pensado que tal coisa pudesse acontecer.
“Alguém podia ter-se aleijado seriamente ou mesmo morrido. Como é que você foi capaz?”. Não, não tinha tido intenção, era só para os aborrecer, para saberem que ele também não gostava de levar com a poeirada de todas as vezes que o carro ali passava.
“Você queria vingar-se matando alguém? É isso?”. Evelise estava fora de si, berrava com o velho que, cada vez mais encolhido, ia negando que tivesse tido intenção de magoar fosse quem fosse.
“Olhe, eu sou um pobre velho que vive aqui sozinho, que passa os dias com as suas plantas, não eu não seria capaz do que me está a acusar. Eu sei, poderia ter havido uma tragédia. Não me ocorreu. Por favor, acredite”. Evelise começou a acalmar-se. Encostou-se ao carro e pôs as mãos na cara. Começou a chorar, primeiro baixinho, depois convulsivamente. O velho ficou surpreendido com a mudança de atitude e não soube logo como reagir. Ainda esboçou um “acredite…” que lhe foi morrendo na garganta.
De repente, o velho sentiu, por aquela mulher jovem e bela, necessidade de a proteger, como se protege um bebé. E foi com ternura que lhe pôs a mão no ombro. “Sabe que uma das vantagens de se ser velho é saber que tudo, ou quase, tem solução. Excepto a morte”. Ela tirou as mãos da cara e observou-o. O que viu foi um velho que parecia querer-lhe todo o bem do mundo. Não sabia porque é que achava isso, mas a verdade é que aceitou o convite para um café lá em casa. No caminho, o velho ia falando. “Sempre vivi rodeado de plantas. A terra foi a minha vida, foi dela que extraí o pão que fui comendo mais a minha mulher que Deus tem. Da terra nasce a vida, menina, é ela que nos dá de comer e olhe que sem comer não fazemos nada. Nada. Tudo vem da terra. É por isso que eu acho que fui abençoado, porque passei a minha vida inteira a sentir essa riqueza nas minhas mãos. Mas, não pense que é fácil. Não. É vida dura. Ao frio e ao vento. Ao calor e ao sol. Sempre temendo uma geada fora de época ou uma chuva que não vem. São coisas simples de vidas simples, menina. Desculpe estar maçá-la com isso”. Ia de braço dado com ela.
“Não, não, não me maça nada”. Evelise ainda estava atordoada, meio sonâmbula deixava-se guiar pelo velho.
Entraram no quintal.
“Vou tirar uma ameixa para si. Vai ver, são uma delícia, uma especialidade”. Largou-lhe o braço e, às escuras, ergueu-se para arrancar um fruto da árvore. “Lembre-me para lhe dar um melão antes de se ir embora. Saíram mais cedo este ano, mas estão bons, vá a gente lá entender isso. Às vezes, vêm na época certa e não prestam para nada e agora…” Retomou a marcha. “Acolá tenho feijão verde e atrás umas abóboras, doces que até parece fruta.” Falava com entusiasmo e pareceu notar isso. “Esta é a minha vida sabe? Nunca quis mais do que isto. Fui feliz aqui com a minha cara-metade e agora estou só com as minhas plantas. Falo-lhes e elas até parecem gostar. Crescem mais depressa. Eu sei que pareço um maluquinho a falar com as plantas, mas acho que até elas precisam de um pouco de atenção.”
Entraram em casa. Pobre, mas de irrepreensível asseio. Evelise não pôde deixar de notar, algo divertida, num jarro com um arranjo floral colorido, sendo que as plantas e flores eram de plástico.
“Sente-se, sente-se que eu vou já buscar um cafezinho. Deixe-me só lavar a fruta.”
Sentada à mesa com uma toalha de plástico às flores, deu uma dentada na ameixa e não pôde deixar de fazer um aceno de aprovação. Era doce. Talvez a melhor ameixa que já comera em toda a sua vida. “Se quiser mais, diga.” Não, não queria mais. Tinha medo de estragar a magia da primeira ameixa. Olhou em redor e viu uma fotografia antiga de uma mulher jovem. Ele reparou no olhar.
“Foram 52 anos de vida em comum. Tivemos as nossas coisas, mas fomos felizes juntos. Era muito bonita. Não tanto como a menina, claro, mas muito bonita. Não acha?”, perguntou apontando para a fotografia.
“Muito bonita”, sussurrou Evelise. “Amavam-se muito?”, perguntou.
O velho ficou pensativo, hesitou. “Ela faz-me muita falta e sei que eu lhe faço falta lá onde ela está agora. É só o que lhe posso dizer”.
O velho saiu para a cozinha e voltou com umas bolachas e uma compota de tomate. “Prove isto, enquanto não vem o café. Garanto-lhe, é uma especialidade. Os tomates daqui quase não precisam de açúcar.” Voltou a sair e ela pegou nas bolachas caseiras, meio grosseiras e cobriu-as de doce. Provou. O velho tinha razão. Era uma especialidade de se lhe tirar o chapéu. Observou a sala onde estava sentada. Tudo parecia tirado de uma fotografia de há 40 anos ilustrando uma decoração má. Contudo, ela sentia-se confortável, havia um não sei quê que dava ao conjunto o calor humano que faltava na maior parte das decorações. Nunca saberia explicar isto. Evelise olhava para o velho com admiração. Ele não tinha sabido responder se amava ou não a mulher porque, para ele, amor era coisa de romances e novelas. Interessava-lhe antes a forma como viveram juntos e os afectos de que sentia falta. Ela chamaria a isso amor e sentiu uma onde de ternura a invadir-lhe o peito. O velho estava a fazê-la reconciliar-se consigo própria.
“Olhe, peço desculpa pelas muitas poeiradas que lhe fizemos”. O velho sorriu. “Vou contar-lhe um segredo: eu até gostava dessa brincadeira, sempre me fazia sair da rotina e fingir que estava zangado. Eu é que peço desculpa, porque a minha brincadeira não teve graça nenhuma, essa é que não teve mesmo graça nenhuma”.
“Até que podia ter graça se fosse o Eduardo a conduzir e não eu, em estado de nervosismo total. Se eu não estivesse nervosa, tinha controlado o carro”.
“Não, menina, eu sei quando faço um disparate. A minha Maria diria das boas se estivesse viva. Ora, cá está o cafezinho e uma fatia de bolo para acompanhar”.
Ela aceitou, reconfortada. O café era de cafeteira tradicional e exalava um cheiro como ela sempre imaginou que cheiraria o café nas casas de antigamente, quando se gritava que havia café fresco. O bolo era mais uma especialidade com que o velho a presenteava, sorrindo. Sentiu-se, de repente, como se o mundo a amasse de novo e não pôde deixar de admirar o velho por isso.
“Está a gostar menina Evelise?” Ela surpreendeu-se quando ouviu o nome. Não se lembrava de o ter dito alguma vez.
“Muito, mas como sabe o meu nome?”
“Ora, isto é uma terra pequena e, depois, tem sido a sua Rosalinda, uma santa, quem me tem valido nestas coisas da lida da casa. Ela é que arruma isto, põe as coisas nos seus lugares, para ficarem bonitas, dá alguma beleza e alegria a esta casa. De outro modo, sem a minha Maria, o que seria de mim? Não reconheceu as bolachas, a compota e o bolo? Foi ela que fez tudo isso. E não imagina o carinho com que fala de si. Você só pode ser boa pessoa e pessoas boas não são muitas. Acredite no que lhe digo”.